sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Adaptação

A forma mais construtiva de se curar um amor, talvez seja encarando todas as verdades.
Mundo onde se vivem farinhas do mesmo saco aparentemente, claro, raramente se encontram pessoas que se veem. A parte mais complexa de viver é essa, sempre foi. Entender a si mesmo e o cotidiano ao meu redor. Sou uma pessoa transparente por natureza, não muitas vezes "sóbria" mas consciente. Por tudo que vivi até hoje, carreguei em mim o lado da moeda luminosa.
Hoje tive febre, ando cansada, o desgaste mental é grande, as tempestades vieram bravejando, devastando, tentando me colocar a quem de todos os acontecimentos. Compreender o outro demais é deixar de compreender a si mesmo, aprendam, quem quer que seja o leitor deste momento de desabafo. Eu nasci para aprender ensinando com o melhor de mim, com a mais sinceridade que possuo e aos poucos isso torna nítido. Creio mais em mim, a cada experiência em que o tempo me permite viver, enxergo o que eu sou, o que posso ser.
É um desafio, desafiar-se. É mais cômodo viver por trás de si mesmo, do "espelho". Só digo com certeza o que já tive o prazer de viver, nada disso faria sentido, se em todos os momentos vividos eu não tivesse extraído uma migalha sequer de aprendizado, progredindo nas falhas que possuo.
Se acordo como hoje acordei, com a impressão de estar com uma âncora nas minhas costas, me vejo em um mar pesado, um sol quente e o desespero para alcançar aquela ilha que aos meus olhos parecem à alguns metros e na realidade está a kilômetros de distância, escolho continuar enxergando nos poucos metros, para que a cada braçada eu tenha orgulho e mais vontade, força e persistência de chegar. A desistência vem a partir do momento em que você não encara a sua realidade, a verdadeira, a sincera, aquela.
Já tive vários mundos a minha frente, mundos que não me pertenciam, e que não irão me pertencer, me vejo forte, mesmo com 39 de febre, na verdade meu desejo neste momento, era que o mouse desse computador velho voltasse a funcionar, assim eu poderia usufruir melhor das distrações interessantes que trouxe pra casa hoje. Me distrair, me conscentrar, é tudo e mais um pouco que tenho feito nestas últimas semanas, me permitido, me esquivado, me equilibrado, me descoberto.
A falta que sinto é sincera, como sei que sou uma compreensiva nata e perseverante, tenho tido crise de abstinência de cuidar, ouvir, ajudar pessoas, mas vem o gosto novo e sensato de cuidar de mim, das minhas feridas, da minha saúde, da minha voz, do meu futuro. Já sou capaz de amar, muito, pois a descoberta do século essa semana, é de que eu me amo, só não estava cuidando como mereço. Meu coração é aberto para receber, só que não me ensinaram a receber e dar consecutivamente, acho que estudei no colégio errado, ironicamente falando mesmo.
Tudo isso não passa de baboseiras melancólicas, ai como eu sou ridícula às vezes. Me sinto bem, mas me sinto mal. Tenho picos e essa instabilidade não é saudável nem mesmo para um poste de luz elétrica.
Fortes emoções de fontes de emoção, que comovem a realidade, que trazem a mudança com dor, a descoberta.
Mentir, mentir ou não mentir pra si mesmo, enganar-se, ah, somos todos movidos a aparência, no individualismo, no eu, para que se despir para outros, se você precisa só de si mesmo?
Muito barato, amargo, como todos os cigarros que tenho fumado, eles já não me dão mais prazer, me dão preguiça. Mas meu estado mental e psiquico necessitam tragar a impureza, a doença, para que um dia ressurjam das próprias cinzas como a fenix.
Chegou a hora de parar de falar, fechar a janela e tentar dormir sem a âncora que tem me acompanhado em momentos vazios. Preciso de quietude e boas companias, boas gargalhadas que façam o maxilar doer, amor eu já tenho, alegria eu preciso conquistar todos os dias.

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