Tem dias que acordamos com aquela nostalgia sem explicação e há dias que acordamos em uma constante felicidade, e independente do que aconteça nada pode estragá-lo. Temos dias intrágaveis e dias que queremos sair engolindo-o. Há mais de uma semana eu descobri em mim uma maturidade estranha, tive a sensação de ter acordado de uma noite ruim, um sonho desencantado. Hoje ao conversar com uma amiga, onde falamos sobre a vida, tanto de nossas, como do meio em que vivemos e sobre nossos futuros, chegamos a conclusão de que na maior parte de nossas vivências encaramos aquilo com tanto fevor que acabamos deixando os propósitos de lado. O que é uma guerra sem próposito? O que vemos todos os dias na TV, pessoas matando de graça, agredindo, tirando dinheiro umas das outras, com qual próposito? Existe? E sinceramente não consigo engolir essa falta de senso, de consciência humana. Descobri de uma forma simples, sentindo no peito uma vontade de ajudar o próximo, de fazer algo da minha vida que tenha um propósito, uma dedicação e solidariedade à alguens. Chegar aos meus 70 anos e olhar para trás e ter a visão de que fiz o bem de alguma forma, da minha forma, com o coração. Quero ter uma vida "normal" como todos, ter estabilidade, família e até mesmo um filho do meu ventre, deixar um pedacinho de mim aqui. Mesmo receiando o estado do mundo quando não estiver mais aqui. Essa falta de consciência de que somos os destruidores da vida, ambiental, social, política, hierarquica, amorosa e humana, me dói, me constrange, me irrita de tal forma que há pouco tempo a vontade de fazer o meu pouco ajudando a mudar meio % disso que seja. Não quero fama, ser a Madre Laura de Caucutá, quero apenas lidar de forma construtiva com algo que acredito: a humanidade.
Por todas as experiências na minha vida, em que passei por situação dramáticas e cômicas, sei bem o que o mundo de hoje com toda a informação e comunicação disponível oferece, e por esse motivo aprendi que as falsas aparências são incontáveis, estão por toda parte e sinceramente eu cansei dessa pouca vergonha, desse mecanismo imoral e cheio de vãos ilusórios. Mudei sim, minha visão e concepção sobre meu ciclo social, profissional e pessoal. Eu possuia um leque de amizades, que por onde passei consquistei, e na retrospectiva de cada momento, falando de forma egoísta, não consigo preencher meus dez dedos das mãos para contar de forma justa quem realmente me conhece, me valoriza, admira e é realmente sem rótulos meus amigos. E o que acho disso? Maravilhoso, pois com toda essa vivência, aos 23 anos, nova e muito pra viver, cheguei ao ponto de me contentar com o pouco, é aquele pouco que te incentiva a contribuir com seu futuro. Focando e sabendo conciliar as prioridades em todos os aspectos. Aí vem aquela pergunta, se muitos podem, eu posso? Posso. A conclusão chave é saber e acreditar em si de forma construtiva e contínua, sem se deixar ludbriar pelo mundo que nos rodeia, pelo o que é de fácil acesso, por momentos passageiros. Pelo nada. E é exatamente isso, meu ultimo ano, após fazer uma retrospectiva, concluo que não fiz nada de realmente palpável pro meu futuro, cometi erros e tive decepções, assim como decepcionei e erraram comigo, porém, abri portas, adquiri experiência, em saber o que é ou não bom pra mim, pra minha vida. Voltei com garra, com vontade, foco, persistência, aquela vozinha dizendo "é com você". Acredito que as coisas acontecem de alguma forma para nosso bem, mesmo que seja dolorosa no começo, mas depois quando você recaptula tudo e absorve, chega a conclusão do que foi válido. E penso naquelas frases clichês "o mundo dá voltas" "tudo que bate, volta" "o que você planta, você colhe" e muitas outras frases da cultura japonesa que expõe com sabedoria e não como uma escapátoria da realidade, essa verdade, que hoje acredito sim. Muitas vezes acreditamos, esperamos e essas atitudes até inconscientes nos levam a decepção. Sempre esperamos das pessoas, das situações da vida, do trabalho, o que desejamos e ao contrário do que demagogos dizem por aí, nem sempre acontecem como esperamos e o não esperado pode ser o caminho mais árduo, longo e doloroso, mas com resultados favoráveis, insubstituíveis pra nossas vidas. Tenho essa sede de beber o melhor, de sugar das minhas experiências o melhor, num gole só. Muitas vezes o trago é quase intragável, mas eu engulo, atravessa minha garganta, com ou sem choro, eu me permito, mesmo sentindo o gosto amargo que tem o arrependimento, aquela apontada que se eu pudesse mudaria tudo, mas é aí que está o segredo, fazer dessa fagula que me acompanha secretamente um avanço, uma força maior. Há medo, há insegurança, quem dera eu ser a pessoa mais segura dentre todas, mas não há modo ou tempo o suficiente pra isso. Sou habitável, sou compartilhada e também tenho meus monstros que assustam. Mas a cada dia os transformo em seres melhores.
O sentido da vida, na minha opinião é saber quem é você, com seus prós e contras, suas limitações, vontades e ações. O resto é auxílio, formulação do ser em periodo indeterminado. Dou a cara a tapa e esse por si só exibe o espelho da verdadeira essência da minha alma. O propósito é tragar a vida, é tragar as escolhas, tragar sempre o melhor pra si mesmo, é se tragar. É me tragar.
2 comentários:
Laura, você arraza! Muita coisa escrita neste documentário com certeza serviu muito pra mim. Você escreve muito bem, você me comove! Parabéns e espero que você encontre o que tanto procura.
Olá amiga, muito boa tarde. Queria te apresentar o SouVencedor.com, que é um projeto que tem o objetivo de motivar as pessoas e criar em todos um sentimento de conquista e vitória por meio da esperança independente do tamanho do desafio. O endereço é http://www.souvencedor.com. Um forte abraço.
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